Os passos para revitalizar a AlcanorteComo novo gestor da companhia, Jean-Paul Prates traçou um planejamento de duas frentes para recuperar empresa. |
Por: Felipe Gibson
Marcada por episódios obscuros e disputas judiciais, a Alcanorte parece parada no tempo. E mais um novo capítulo está prestes a ser escrito nesta história com mais de 30 anos, só que desta vez para o lado bom. Com o desafio de revitalizar a gerar novos negócios para a empresa, o ex-secretário Estadual de Energia e atual diretor-geral do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, assume a função de gestor da companhia.
No planejamento traçado por Jean-Paul Prates o trabalho acontecerá em duas frentes. "Estamos fazendo um rescaldo da documentação contábil e um levantamento dos ativos e passivos da empresa, um balanço patrimonial", explica o novo gestor da Alcanorte. No entanto, a missão não vem sendo fácil.
Como teve diversos administradores temporários, a Alcanorte viveu um processo predatório em relação aos registros da companhia. Jean-Paul Prates conta que muitos documentos ficaram perdidos ou foram destruídos. Na tentativa de recuperá-los, a nova gestão da Alcanorte vem buscando os registros junto a entidades que interagiram com a empresa no passar dos anos. "Neste momento estamos fazendo o balanço do ano de 2002 para cá", revela o diretor do Cerne.
Após concluir o primeiro passo, a pretensão é definir modelos de negócio para uma série de setores que podem ser desenvolvidos na companhia. São as chamadas Sociedades de Propósito Específicos (SPEs), nas quais serão oferecidas oportunidades de negócios para investidores em áreas específicas.
Além da retomada da famosa fábrica de barrilha, produtos como calcário, energia eólica e solar, petróleo e gás, e recursos hídricos, terão suas próprias SPEs. "Serão pequenas empresas, cada uma delas com uma taxa de retorno", ressalta Jean-Paul Prates. Em alguns setores, o novo gestor da Alcanorte afirma que os investimentos podem surgir com mais velocidade. "Acredito que os setores de cimento e água já possam se desenvolver neste ano", reforça.
Já em relação à fábrica de barrilha, o diretor do Cerne esclarece que o projeto é de médio prazo. De acordo com Prates é preciso analisar o mercado e conciliar interesses para se ter um bom retorno. Produto indispensável para a produção de vidro e derivados, a barrilha consumida pelo Brasil é 100% importada atualmente. Mesmo com as possíveis dificuldades, o novo gestor acredita na possibilidade de fazer o negócio fluir até 2014.
Sobre o chamado para gerir a Alcanorte, Jean-Paul Prates relata que a negociação demorou. "Passei seis meses analisando a legitimidade do negócio e quando vi que Justiça dava respaldo a esse grupo, aceitei", lembra. O convite partiu das controladoras, a Companhia Nacional de Álcalis e a Associação Noválcalis, em junho do ano passado.
Há mais de 30 anos a Alcanorte vive sob a sombra de lutas judiciais, políticas e casos sem explicação. Após a privatização, a companhia foi doada pelo Grupo Fragoso Pires aos funcionários da Álcalis, que administram o negócio atualmente.

