O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, anunciou nesta segunda-feira (19) aumento de tributos sobre combustíveis, sobre produtos importados e, também, sobre operações de crédito. O anúncio do pacote de medidas já começou criando problema com alguns dos principais empresários e executivos brasileiros, isso porque o ministro Joaquim Levy tinha uma reunião marcada para as 14h de ontem com 20 empresários e executivos das maiores empresas do Brasil. A reunião que seria realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP ), um dos principais órgãos empresariais do país, foi cancelada apenas às 13h. A reunião na FIESP foi cancelada devido à decisão da presidente Dilma Rousseff em estender a reunião realizada em Brasília, com a presença do ministro da Fazenda, para anunciar o pacote de ajustes.
Por volta das 19h foi marcada uma coletiva na qual o ministro anunciou basicamente quatro medidas: primeiro, a tributação do setor de cosméticos, o governo passa a tributar o setor atacadista de cosméticos que não era tributado com Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI); segundo, aumento do PIS e a Cofins para os produtos importados, o valor passou de 9,25% para 11,75%. Essas duas medidas não têm grande impacto no dia a dia da maioria dos brasileiros, mas as outras duas, essas sim, mexem na vida de todos.
A primeira, das duas outras medidas anunciadas, é o aumento no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). O imposto sobre operações financeiras passa de 1,55% para 3%, praticamente dobra o valor sobre todas as operações financeiras. A ideia do governo é evitar que as pessoas peguem crédito.
O mesmo governo que passou oito anos estimulando crédito como principal ferramenta para movimentar a economia agora quer frear o crédito. Pelas contas do Joaquim Levy o governo vai arrecadar este ano R$ 8,3 bilhões somente com o aumento do IOF.
A outra medida anunciada foi a volta da Contribuição sobre Intervenção no Domínio Econômico (Cide). De maneira simplificada, a Cide retrata o aumento no valor dos combustíveis. A expectativa é que o litro da gasolina tenha um aumento de R$ 0,22 e o litro do diesel de R$0,15. Com a volta da Cide, o governo espera arrecadar R$ 14 bilhões com a volta da Cide.