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30/04/2011 08h30 - Atualizado em 30/04/2011 10h44

Dia do Trabalho: Panorama e desafios do mercado de trabalho potiguar

Baixos pisos salariais, informalidade, saúde e segurança do trabalhador e igualdade de oportunidades são alguns dos temas que merecem destaque no 1º de maio.

Por: Felipe Gibson

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O Rio Grande do Norte viveu em 2010 seu melhor ano em relação à geração de empregos. Foram 31.094 novos postos de trabalho, o melhor resultado do estado na série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) calculado pelo Ministério do Trabalho. Para 2011, especialistas não acreditam em um desempenho parecido, mas projetam que o saldo continuará positivo no fechamento anual.

Apesar dos bons resultados, o mercado de trabalho potiguar ainda sofre com alguns problemas e tem desafios pela frente. Nos sindicatos e entidades que representam os trabalhadores, a redução da jornada de 44 para 40 horas, o fim do fator previdenciário, e uma maior autonomia e independência sindical, estão entre as principais reivindicações.

Somam-se às bandeiras sindicais, outras questões que merecem debate, como os baixos pisos salariais, a informalidade, a saúde e segurança do trabalhador, a igualdade de oportunidades, a rotatividade e a qualificação do trabalhador. E nada melhor do que lembrá-las no fim de semana que termina em 1º de maio, o Dia do Trabalho.

Empregos

Com 31.094 empregos gerados em 2010, o RN teve seu melhor resultado na série histórica do Caged. Os setores que mais geraram empregos foram os de serviços (9.039), comércio (8.997) e construção civil (7.180). O índice de empregabilidade variou 8,64% em relação a 2009 e o desempenho foi o 5º melhor do Nordeste.

Em 2011 a geração de novos postos de trabalho não vem no mesmo ritmo. Enquanto em 2010 o estado tinha 1.677 empregos a mais no primeiro trimestre, neste ano o saldo está negativo, com o número de demissões superando o de admissões em 3.418. O resultado dos três primeiros meses pode assustar no primeiro olhar, porém o chefe geral do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), José Aldemir Freire explica que o desempenho é normal.

"Os primeiros meses do ano são sempre negativos no mercado de trabalho local, com desemprego sazonal. Mas a partir de abril/maio acredito que voltaremos a ter saldos positivos", afirma o economista. Para Freire, além dos setores de serviços, comércio e construção civil, a indústria de transformação também está entre as que mais empregarão durante o ano.

De acordo com o chefe geral do IBGE, o comportamento visto em 2010 foi atípico e não deve se repetir com a mesma intensidade neste ano. "O crescimento da renda, da economia e o aumento do crédito foram os principais fatores determinantes dos bons números no ano passado", detalha.

Desafios

A geração de empregos no RN tem ajudado a expandir o mercado de trabalho do estado, além de contribuir para fatores como o consumo, já que mais pessoas ganham poder de compra. São alguns dos pontos positivos observados pelo supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese/RN), Melquisedec Moreira, que apresenta uma série de desafios para o estado evoluir ainda mais no campo trabalhista.

No ranking dos quesitos falhos do RN, a baixa remuneração tem sido motivo de preocupação para o supervisor do Dieese/RN. "Os pisos salariais das principais categorias, como comércio, indústria e serviços, ainda são baixos. Sem contar com o setor de agricultura", explica. A questão agrava outro problema no mercado de trabalho potiguar, a informalidade.

Melquisedec Moreira inclui na lista a segurança e saúde do trabalhador. "Pesquisas apontam que a cada três horas e meia, uma pessoa morre enquanto trabalha no país", afirma. Setores como a construção civil e trabalhos que elevam a carga de estresse das pessoas são colocados como principais grupos de risco.

A igualdade de oportunidades, tanto entre homens e mulheres, quanto entre negros e brancos, ainda é um tabu a ser vencido no mercado de trabalho. De acordo com dados do Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2009, em termos globais, as mulheres ganham 70,7% do que os homens recebem por trabalho. Enquanto isso, o rendimento salarial de negros e pardos foi 40% menor do que brancos.

Por último Melquisedec Moreira pontua dois itens. Primeiro a rotatividade de trabalhadores, que apresenta altos índices no estado. "No RN 70% dos que saem de um emprego têm menos de um ano de casa", afirma. Em segundo, o supervisor do Dieese destaca a qualificação dos trabalhadores como um quesito a ser melhorado.

Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgada na última quinta-feira (28) projetou que o RN terá uma grande oferta de mão de obra de maneira global, porém três setores - Educação, Indústria e Construção - sofrerão com a escassez.

Reivindicações

Entre as reivindicações que as entidades representativas dos trabalhadores destacam neste 1º de maio, a redução da jornada de 44 para 40 horas aparece como o tema mais abordado. "Com essa redução serão criados 36 mil empregos com carteira assinada. Também é uma forma de aumentar o tempo de lazer do trabalhador", argumenta o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT/RN), José Sobrinho.

Para o presidente da Nova Central Sindical dos Trabalhadores do Rio Grande do Norte (NCST/RN), Joaquim Menezes, ressalta que apesar do esforço dos sindicatos para negociar, a classe empresarial não mostra interesse em dialogar pelas reivindicações dos trabalhadores, e sim por seus benefícios próprios. "Eles cobram uma mão de obra qualificada. Mas onde estão os recursos para qualificação?", questiona.

No Dia do Trabalho deste ano, a CUT/RN coloca como discussão central a autonomia e independência sindical. De acordo com José Sobrinho é preciso debater o tema para uma valorização geral do trabalhador, já que com a pressão das empresas, os funcionários se sentem acuados e sentem dificuldades para se organizar na cobrança de melhorias.

Já a NCST/RN, em parceria com a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB/RN) promoverá neste domingo uma bicicletada que partirá do shopping Midway Mall até a Praia da Redinha, onde os trabalhadores se concentrarão para comemorar o Dia do Trabalho. A concentração no Midway Mall está marcada para as 9h.


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