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10/09/2019 11h11

RN testa frutas de clima temperado para diversificar fruticultura

Está em implantação na região Oeste um projeto experimental para cultivo de maça e pera. Inicialmente, serão plantadas 500 mudas de pera em Mossoró e Apodi.

A necessidade de diversificar a fruticultura e criar novas alternativas, sobretudo, para o pequeno produtor, tem trazido ao Rio Grande do Norte experiências impensáveis há até algum tempo: introdução, no semiárido potiguar, de frutas de clima temperado, como pera e maçã. Está sendo implantado na região um projeto de cultivo dessas frutas com o apoio do Sebrae no Rio Grande do Norte. A iniciativa foi apresentada no último dia do 2º Simpósio Potiguar de Fruticultura, que ocorre em Mossoró.

O estado vai receber da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) 500 mudas de pera, que serão plantadas em duas pequenas propriedades, em Mossoró e Apodi, e no Instituto Federal de Educação Tecnológica (IFRN) de Apodi e na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) de Mossoró. Posteriormente, chegarão ao Estado mudas de maçã, dentro de um planejamento acompanhado também pela Ufersa e outros parceiros.

"Há alguns anos, visitamos projetos de pera e maçã em outros Estados, e procuramos trazer essa proposta como alternativa para o Rio Grande do Norte. É o início do trabalho, estamos em processo de negociação e ajustes, com a plantação em pequenas áreas para ter um controle melhor e, sendo validado, vamos propagar em outras regiões, como alternativa econômica na fruticultura potiguar", explica o gestor de Fruticultura do Sebrae-RN, Franco Marinho Ramos.

A iniciativa é inspirada na experiência em Petrolina (PE), no Vale do São Francisco, referência no semiárido na introdução de frutíferas de clima temperado e que produz de 60 a 80 toneladas de pera por hectare/ano, conforme o pesquisador da Embrapa Paulo Roberto Coelho, que participou da mesa redonda "Potenciais da Fruticultura no Semiárido". Ele acredita na viabilidade do experimento em Mossoró e Apodi, já que a Região Oeste tem as mesmas características climáticas do Vale do São Francisco.

O sucesso da cultura em solo potiguar depende, segundo ele, do emprego dos métodos aplicados em Petrolina, apresentados no Simpósio: em síntese, o uso de inibidores de crescimento, sistema de poda, para formação de botões florais, uso de indutores de floração, manejo eficiente da irrigação. As técnicas valem não só para pera e maçã, mas para outras frutas de clima temperado, também testadas pela Embrapa no semiárido, como caquí, amora preta, mirtilo, além da uva, já consolidada na região de Petrolina e Juazeiro (BA).

Semiárido temperado

"É absolutamente viável produzir frutas de clima temperado no Semiárido nordestino. E mais: é possível produzir e programar a produção em todos os meses do ano, para colher no momento em que o mercado está mais necessitado, e fazer duas safras por ano na mesma planta", conclui o pesquisador, ao acrescentar que a produção e comercialização dessas frutíferas poderão ser atividades rentáveis no Nordeste brasileiro.

A introdução de frutíferas de clima temperado é uma alternativa, mas a Região Oeste tem potencial para diversificar sua fruticultura, simplesmente fortalecendo culturas tradicionais. A opinião é do engenheiro agrônomo Fábio Martins Queiroga, produtor e exportador de produtos vegetais, que participou da mesa redonda com Paulo Roberto Coelho. Para o especialista, o Rio Grande do Norte precisa ir muito além do melão. Até porque, segundo ele, o Estado "está inundando a Europa de melão".

"Possuímos solos jovens e de alta fertilidade, que comportam herança de culturas: quando colher o melão, plantar mamão. Em seguida, abóbora, milho, entre outras. É isso que estou fazendo nos meus projetos", revela, ao acrescentar que demanda crescente por frutas em todo o mundo cria possibilidades diversas, para as quais a fruticultura do Rio Grande do Norte precisa se adaptar, por exemplo, através de boas práticas agrícolas.

"Além das frutas já nominadas, poderemos ter em boa escala limão, pitaya, goiaba, banana, manga, uva, coco, maracujá, graviola, abacaxi, figo, abacate, caju, açaí, pera, acerola, maçã, laranja e muitas outras, que são culturas com potencial no semiárido e onde sempre há lugar no mundo, ao seu tempo, com necessidade. O maior desafio da fruticultura é deixar de fazer o que se pode e passar a fazer o que se deve", conclui.

 


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