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24/10/2016 17h44

Rio Grande do Norte colhe primeira safra de uvas no semiárido

Com apoio do Sebrae, produtores finalizaram a primeira colheita de uvas em escala comercial já realizada no Rio Grande do Norte. Foram colhidas cerca de 40 toneladas da fruta em pleno sertão potiguar.

O Rio Grande do Norte colheu em torno de 40 toneladas de uvas do tipo Itália nesta primeira safra, que finalizou neste mês. Trata-se de uma colheita inédita da fruta, que, até então, não havia sido cultivada em escala comercial no estado. Numa área de dois hectares da fazenda Quixaba, zona rural do município de Parazinho (a 116 quilômetros da capital Natal), foram colhidos os primeiros frutos de um projeto do Sebrae para incentivar a vitivinicultura em pleno semiárido potiguar. Em meio à paisagem seca da região, um verde exuberante surge, comprovando a viabilidade da produção de uvas no sistema irrigado numa área de baixa umidade e baixo índice pluviométrico.

Os responsáveis pelo feito são os produtores André Aleixo e o irmão, José Hipólito, que decidiram deixar de lado a plantação de pimentões e tomates, e, de forma pioneira, apostaram na cultura irrigada dessa variedade de uva, no começo do ano passado. Após 20 meses, toda a produção já foi comercializada internamente no Rio Grande do Norte, que apresenta uma alta demanda de consumo, já que a maior parte das uvas que abastecem o mercado potiguar vem de outros estados. As frutas foram todas vendidas em uma operação, que rendeu em torno de R$ 100 mil para os empreendedores, com um único distribuidor da Central de Abastecimento do Rio Grande do Norte (Ceasa).

A aceitação das primeiras uvas do RN foi imediata. A explicação está na qualidade dos frutos, que têm tamanhos praticamente uniformizados com cada cacho pesando em média 700 gramas. Mais que isso, as uvas potiguares chegam a atingir um brix, que é o grau de doçura medido na fruta, acima de 19°. Para se ter uma ideia de como a uva é doce, basta saber que o padrão de exportação para a uva Itália é de 15°, que é um alto teor de açúcar exigido pelo mercado internacional.

A plantação começou quando André Aleixo assistiu a um vídeo do projeto com as experiências bem sucedidas da fazenda modelo de Lagoinha, na Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa) e procurou o Sebrae para implantação do parreiral, que durou seis meses. Através do programa Sebraetec, ele contou com consultorias e visitas técnicas a vinhedos na região do Vale do São Francisco, em Pernambuco, para consolidar o cultivo. Um investimento de aproximadamente R$ 250 mil.

"A ideia veio porque, primeiro não existia experiências de plantação de variedades de uvas aqui no Rio Grande do Norte e segundo, o projeto da Ufersa dava garantia de que poderíamos plantar e, com assessoria, não ter problemas de comercialização", explica André Aleixo, justificando também a cultura do pimentão e tomate, que acabavam não proporcionando muita lucratividade devido à fixação do preço e deflação no valor da caixa das hortaliças.

Por isso, o produtor foi em busca de uma iniciativa inovadora, sem concorrentes na região, cultivando produtos de excelência e proximidade do mercado consumidor. Essa foi a receita para garantir um preço bom para comercialização - cada quilo de uva foi vendido por R$ 2,50. A plantação da uva ocorreu em blocos, de forma que a colheita é feita em etapas, chamadas de válvulas, e semanalmente. Do início de setembro à primeira quinzena de outubro, os trabalhadores da fazenda colheram de 4 mil a 6 mil quilos de uvas por semana.

"A região é propícia devido às baixas precipitações e umidade relativa do ar. Com o sistema irrigado, foi possível programar a colheita fora do período chuvoso, que é danoso para plantação vitícola", explica o consultor Django Dantas. A estimativa é que a área plantada gere duas safras por ano, podendo ter um acréscimo de produtividade de 20% após três anos de desenvolvimento das videiras - o que daria com a área plantada atual de cerca de 100 toneladas por ano.

Mão de obra qualificada, um desafio
O principal gargalo para começar foi a dificuldade de acesso aos produtos para o cultivo, desde insumos até as mudas. "Esse problema já superamos. Agora, temos contatos diretos com os fornecedores. Já sabemos a logística necessária para que esses produtos cheguem aqui rapidamente", afirma André Aleixo. Mas outro problema está relacionado à mão de obra qualificada para o manejo. "Estamos desenvolvendo essa mão de obra aqui. Regularmente, convidamos técnicos para repassar conhecimento ao pessoal. Tinha gente aqui que sequer tinha visto um pé de uva. Imagine trabalhar num cultura tão complexa, que é uva, de uma hora para outra sem conhecimento".

Um dos beneficiados com essa capacitação prática é Raimundo Alves, estava acostumado com a plantação de hortaliças e de uma hora para outra se viu trabalhando no meio de um parreiral. "Quando começou, eu ficava imaginando que eles estavam dando um tiro no pé. Plantar uvas nesse sertão não pode dar certo. Mas agora vejo que estava totalmente errado". Raimundo Alves está entre os dez trabalhadores encarregados da colheita na fazenda e que sabem técnicas de manejo, como contar a gemas para realizar a poda sistemática, fazer o amarrio dos galhos e rateio dos cachos, que é a retirada do excesso de bagas do cacho.

O principal gargalo para começar foi a dificuldade de acesso aos produtos para o cultivo, desde insumos até as mudas. "Esse problema já superamos. Agora, temos contatos diretos com os fornecedores. Já sabemos a logística necessária para que esses produtos cheguem aqui rapidamente", afirma André Aleixo. Mas outro problema está relacionado à mão de obra qualificada para o manejo. "Estamos desenvolvendo essa mão de obra aqui. Regularmente, convidamos técnicos para repassar conhecimento ao pessoal. Tinha gente aqui que sequer tinha visto um pé de uva. Imagine trabalhar num cultura tão complexa, que é uva, de uma hora para outra sem conhecimento".

Um dos beneficiados com essa capacitação prática é Raimundo Alves, estava acostumado com a plantação de hortaliças e de uma hora para outra se viu trabalhando no meio de um parreiral. "Quando começou, eu ficava imaginando que eles estavam dando um tiro no pé. Plantar uvas nesse sertão não pode dar certo. Mas agora vejo que estava totalmente errado". Raimundo Alves está entre os dez trabalhadores encarregados da colheita na fazenda e que sabem técnicas de manejo, como contar a gemas para realizar a poda sistemática, fazer o amarrio dos galhos e rateio dos cachos, que é a retirada do excesso de bagas do cacho.

O Projeto de Vitivinicultura também está incentivando o cultivo de uvas em outras regiões amparado em estudos da Ufersa, que demonstram a viabilidade da vitivinicultura no estado. A instituição tem cultivos experimentais de uvas em algumas localidades da região de Mossoró, como é o caso do experimento de Alagoinha e da Fazenda Experimental Rafael Fernandes. São vinhedos voltados para sucos. Em parceria com a Embrapa, estão sendo feitos estudos para avaliar a produção de vinhos no local, assim como em outras microrregiões da Bahia e Pernambuco.

Através de uma parceria entre o Sebrae, o Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) e Ufersa, serão desenvolvidas culturas de uvas sem sementes na Chapada do Apodi com foco na exportação. Atualmente, os maiores compradores mundiais dessa fruta são Alemanha, Estados Unidos e Reino Unido. Denominado Introdução de Cultivares de Videiras Apirênicas, o projeto vai estimular variedades, como as uvas Vitória e a Isis, sem sementes.

A proposta do projeto é incentivar mais produtores potiguares a entrar na viticultura, além de criar unidades de beneficiamento na cidade para processar a uva e gerar valor agregado, e aumentar o percentual de plantio na região. Atualmente, o Nordeste é responsável por 18,7% da produção nacional de uvas, ficando atrás apenas do Sul, que responde por 65% da produção do país.

*Fonte: Agência Sebrae RN

 


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